1. Introdução
Significado de Bíblia (Grego βίβλος): livro ou rolo. A origem da palavra é egípcia e se refere às plantas das quais as fibras eram utilizadas para fazer uma espécie de compensado que serviria para a escrita. Foi utilizada pelos cristãos de fala latina para se referir ao Antigo Testamento e, com o passar do tempo, se tornou de uso comum.
Significado de Escritura (Grego γραφή): escrita. É um substantivo grego comum que se refere a algo escrito. É utilizada em um sentido técnico no Novo Testamento (51 vezes como substantivo e 90 vezes como verbo). Referências: Mt 21:42; 22:29; 26:54; Lc 24:27; 32:45; Jo 5:29; Rm 15:4; 2Pe 3:16.
2. Revelação Divina e a Bíblia
2.1. Definição de revelação
A revelação é o ato de Deus manifestar algo aos homens. Essa manifestação pode ser acerca de Si mesmo ou de alguma outra verdade que Ele queira comunicar. A revelação é necessária para que o homem possa conhecer a Deus, pois sem a revelação o homem estaria preso ao ambiente em que foi inserido e seria incapaz de desvendar aquilo que não pode experimentar.
2.2. Revelação geral
A primeira forma de revelação é a chamada “revelação geral”. O mundo Criado por Deus possui marcas (impressões digitais) do Seu Criador. Essas marcas são tão evidentes ao ponto de todos os homens poderem contemplá-la e reconhecer que Ele existe.
- Natureza: A própria Escritura fala diversas vezes dessa forma de revelação (Sl 19:1-6; Rm 1:18:23).
- Providência: O cuidado que Deus demonstra pela humanidade (Mt 5:45).
- Consciência: O senso moral de certo e errado colocado no coração dos homens (Rm 2:14-15).
2.3. Revelação especial
A revelação especial é específica, detalhada, objetiva e prescritiva. Ela supre o que a revelação geral não é capaz de fornecer. A revelação especial acessível hoje é a Escritura que foi providenciada por Deus através dos homens que Ele designou (Dt 31:24; 2Pe 1:21).
“As Escrituras podem ser designadas como a palavra viva e escrita de Deus (Hb. 4:12), enquanto que Jesus Cristo pode ser designado a palavra viva e encarnada de Deus (Jo 1:14).”
3. Inspiração da Bíblia
A palavra inspiração é extraída de 2Tm 3:16 que significa literalmente “soprada por Deus”. A inspiração pode ser definida como: O registro escrito das verdades reveladas por Deus.
Características da inspiração:
- Deus conduzindo os autores pelo Espírito Santo (2Pe 1:21).
- Homens agindo voluntariamente sob o controle de Deus.
- Inspiração do escrito que é inerrante (2Tm 3:16).
- Restrição aos autógrafos (manuscritos originais).
Posição Bíblica:
Inspiração verbal e plenária. "Verbal" significa que cada palavra foi inspirada; "Plenária" significa que a Escritura como um todo é inspirada. A Bíblia rejeita a ideia de que apenas conceitos foram inspirados ou que a inspiração é apenas parcial.
4. Inerrância da Bíblia
Afirmar que a Palavra inspirada é inerrante é o mesmo que dizer que ela está completamente livre de qualquer equívoco e tudo que afirma é inegavelmente a verdade. Isso inclui doutrina, história, ciência, geografia e geologia.
Perigo em rejeitar a inerrância: Quem afirma que a Bíblia tem erros, afirma que Deus errou.
5. Canonicidade
A palavra Kanon significa uma vara de medir ou padrão. O cânon bíblico consiste nos livros reconhecidos como inspirados por Deus.
- Antigo Testamento: 39 livros reconhecidos por judeus e cristãos.
- Novo Testamento: 27 livros reconhecidos pela Igreja.
Os livros apócrifos, acrescentados pela Igreja Católica no Concílio de Trento (século XVI), não são reconhecidos como inspirados.
6. Preservação e Iluminação
A doutrina da preservação afirma que Deus agiu providencialmente para manter a Escritura pura ao longo da história. Já a iluminação é a obra do Espírito Santo que capacita o crente a compreender e aceitar as verdades espirituais da Bíblia (1Co 2:11-16).
Referências Bíblicas
- Mt 21:42; 22:29; 26:54
- Lc 24:27; 32:45
- Jo 5:29; 1:14
- Rm 15:4; 1:18:23
- 2Pe 3:16; 1:21
- Sl 19:1-6
- Dt 31:24
- Hb 4:12
- 2Tm 3:16